Comunicação e relação
Usa poucos gestos para pedir, mostrar ou partilhar; inicia poucas trocas; parece ter dificuldade em partilhar a atenção ou em participar no brincar com outras pessoas.
Guia para famílias · Setúbal
Se há algo na forma como o seu filho compreende, comunica, fala, brinca ou come que a preocupa, essa preocupação merece ser ouvida. Não precisa de esperar por um diagnóstico nem de ter a certeza de que existe uma dificuldade.
Uma avaliação ajuda a compreender o perfil da criança e a decidir, consigo, se faz sentido orientar, acompanhar a evolução, intervir ou articular com outro profissional.
Ouvir · Compreender · OrientarComeçar pela preocupação
Cada criança desenvolve-se ao seu ritmo, mas isso não significa que todas as diferenças devam ser simplesmente deixadas para mais tarde. Os marcos do desenvolvimento descrevem intervalos e ajudam a orientar; não são um teste nem permitem fazer um diagnóstico isoladamente.
Para mim, o que os pais observam é uma parte essencial da avaliação. Se sente que a criança se esforça para comunicar, se frustra por não ser compreendida, parece não avançar ou perdeu alguma competência que já utilizava, vale a pena esclarecer.
Sinais que merecem atenção
Um sinal isolado não permite concluir que existe uma perturbação. É o conjunto, a frequência, a evolução e o impacto no dia a dia da criança que ajudam a perceber o que está a acontecer.
Usa poucos gestos para pedir, mostrar ou partilhar; inicia poucas trocas; parece ter dificuldade em partilhar a atenção ou em participar no brincar com outras pessoas.
Tem dificuldade em compreender mensagens adequadas à idade, usa poucas palavras ou frases, progride muito lentamente ou não consegue organizar o que quer contar.
A fala é difícil de compreender, mesmo para pessoas próximas, ou existem omissões e trocas de sons que persistem e condicionam a participação da criança.
Repete ou prolonga sons com esforço, bloqueia, evita falar ou mostra tensão. A voz mantém-se rouca, muito nasal ou diferente durante um período prolongado.
Tosse ou engasga-se com frequência, tem dificuldade em mastigar, demora muito tempo a comer, retém alimentos na boca ou aceita um conjunto muito limitado de texturas.
Revela dificuldades persistentes em rimas, sílabas, sons das palavras, vocabulário, construção de frases, narrativas, leitura ou escrita.
Alguns exemplos por idade
Estes exemplos ajudam a reconhecer situações que podem merecer uma conversa com um Terapeuta da Fala. Devem ser interpretados no contexto global da criança, das línguas que utiliza e das oportunidades que tem para comunicar.
Pouco balbucio, poucas trocas de sons, pouca resposta à voz ou aos sons e ausência de gestos como apontar, mostrar ou dizer adeus podem justificar uma conversa com um profissional.
Usar muito poucas palavras, não começar a combiná-las perto dos 2 anos ou ter dificuldade em compreender pedidos simples são sinais que merecem ser esclarecidos.
Uma fala muito difícil de compreender, frases pouco desenvolvidas, dificuldade em conversar, brincar com outras crianças ou contar acontecimentos podem justificar avaliação.
Dificuldades persistentes na fala, no vocabulário, na compreensão, nas narrativas, na leitura ou na escrita podem ter uma componente linguística que importa avaliar.
Quando agir mais rapidamente
Se a criança deixou de usar palavras, gestos ou outras competências que já tinha adquirido, deve procurar avaliação médica com brevidade.
Engasgamentos repetidos, tosse, dificuldade em respirar ou voz húmida durante ou depois das refeições justificam avaliação clínica célere.
Se parece não reagir a sons, ao nome ou à fala, uma avaliação auditiva é importante, mesmo que a criança tenha passado o rastreio neonatal.
O que acontece numa avaliação?
A primeira consulta é realizada, de preferência, apenas com os pais. Quero compreender o que observam, a história da criança e as situações que mais os preocupam.
Observo como comunica, compreende, brinca, participa e se relaciona, respeitando o seu tempo e procurando atividades com significado para ela.
Seleciono os instrumentos e tarefas adequados à dúvida inicial e ao perfil da criança. Uma avaliação não é igual para todas as crianças.
Partilho o que observei e definimos se faz sentido orientar a família, acompanhar a evolução, iniciar intervenção ou articular com outros profissionais.
“Nenhuma criança existe apenas dentro da sessão. A comunicação precisa de relação, de parceiros disponíveis e de oportunidades na vida real.”
Perguntas frequentes
Estas respostas são gerais. A história, o desenvolvimento e os contextos de cada criança precisam de ser considerados individualmente.
Não é possível decidir apenas pela idade ou pelo número de palavras. Importa perceber também o que a criança compreende, como comunica sem palavras, se usa gestos, se partilha interesses, como brinca e se tem vindo a progredir. Se existe preocupação, uma avaliação pode ajudar a distinguir uma variação do desenvolvimento de uma dificuldade que necessita de apoio.
Não. A avaliação serve para compreender o perfil da criança. Pode resultar em orientação aos pais, acompanhamento da evolução, intervenção em Terapia da Fala ou referenciação para outro profissional, consoante o que for observado.
Não. Pode procurar ajuda apenas porque algo na comunicação, linguagem, fala, voz, fluência ou alimentação da criança a preocupa. A dúvida dos pais é, por si só, um motivo válido para pedir orientação.
Não. Crescer com duas ou mais línguas não causa uma perturbação da linguagem. Quando é necessária uma avaliação, devem ser consideradas todas as línguas que a criança ouve e utiliza, bem como os seus contextos de comunicação.
Pode ser importante. Mesmo alterações auditivas ligeiras ou intermitentes podem influenciar o acesso aos sons da fala e à linguagem. Perante sinais ou dúvidas, a avaliação auditiva ajuda a excluir ou identificar esta possibilidade.
Acompanho crianças e famílias na Clínica Sons da Fala, em Setúbal. Pode esclarecer uma dúvida diretamente comigo por WhatsApp; para marcar uma consulta, deve contactar a clínica através do 910 897 061.
Conteúdo baseado nos marcos de desenvolvimento e orientações de identificação precoce da American Speech-Language-Hearing Association (ASHA), na página clínica da ASHA sobre desenvolvimento tardio da linguagem, nas orientações do National Institute on Deafness and Other Communication Disorders e na revisão sistemática e meta-análise de Fisher (2017).
Foram também considerados materiais da Especialização Avançada em Comunicação, Relação e Autismo frequentada por Nânci Rodrigues. Esta informação não substitui uma avaliação individual nem aconselhamento médico.
Terapia da Fala infantil · Setúbal
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